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Casas Bahia fecha 298 lojas e pode cortar milhares de funcionários em nova fase da reestruturação

A Casas Bahia voltou ao centro das atenções do mercado nesta semana depois de informações sobre uma redução forte em sua estrutura física. Segundo apuração publicada pelo Valor Econômico e repercutida por outros veículos, a varejista teria iniciado o fechamento de 298 lojas em diferentes regiões do Brasil e uma rodada de demissões que já atingiria cerca de 1,9 mil trabalhadores. Uma das fontes ouvidas pelo jornal estimou que o total de desligamentos poderia chegar a aproximadamente 3 mil pessoas, embora esse número maior ainda não tenha sido confirmado oficialmente pela companhia.

O movimento chama atenção pelo tamanho. Em março deste ano, o Grupo Casas Bahia informava possuir pouco mais de mil lojas no país. Se o fechamento das 298 unidades for confirmado integralmente, a redução corresponderá a quase 30% da rede física considerada nas reportagens. É uma mudança muito mais profunda do que os ajustes pontuais realizados nos últimos trimestres e mostra que a empresa pode ter acelerado sua estratégia de enxugamento da operação.

Até o primeiro trimestre de 2026, a companhia vinha conduzindo esse processo de forma gradual. Naquele momento, possuía 1.039 lojas, sendo 921 da bandeira Casas Bahia e 118 do Ponto, e havia fechado apenas três unidades entre janeiro e março. A própria empresa já dizia que analisava individualmente a produtividade e a rentabilidade de cada ponto para decidir quais operações faziam sentido permanecer abertas.

Agora, porém, o cenário parece ser outro.

A possível retirada de quase 300 lojas representa uma mudança importante no tamanho da empresa e levanta dúvidas sobre qual será o papel das unidades físicas daqui para frente. A Casas Bahia sempre teve sua força muito ligada à presença em ruas comerciais, shoppings e regiões populares, além de um modelo de venda construído durante décadas com base em atendimento presencial e crédito ao consumidor.

Só que manter uma rede desse tamanho custa caro. Aluguel, folha salarial, estoque, energia, segurança, logística e manutenção fazem parte de uma estrutura pesada. Quando algumas lojas deixam de gerar retorno suficiente, o custo começa a pesar ainda mais, principalmente em um ambiente de juros elevados e consumo mais fraco.

O problema da Casas Bahia não começou agora

O fechamento de lojas faz parte de um processo de reestruturação que já vem sendo conduzido há algum tempo.

Nos últimos anos, a Casas Bahia precisou renegociar dívidas, rever prazos, melhorar a gestão do caixa e reduzir despesas. A recuperação extrajudicial iniciada em 2024 envolveu cerca de R$ 4 bilhões em obrigações e permitiu à companhia reorganizar parte importante de sua estrutura financeira.

A empresa também conseguiu reduzir sua dívida líquida ajustada. No primeiro trimestre de 2026, o endividamento caiu aproximadamente R$ 2,7 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando perto de R$ 1,25 bilhão. A alavancagem financeira ficou em 0,5 vez o EBITDA ajustado acumulado em 12 meses.

Foi uma melhora relevante.

Mas reduzir dívida não significa, por si só, resolver o problema do negócio.

No mesmo primeiro trimestre, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão, mais que o dobro da perda registrada um ano antes. A receita líquida chegou a aproximadamente R$ 7,4 bilhões e o EBITDA ajustado ficou em R$ 597 milhões, mostrando que a operação ainda consegue vender e gerar resultado antes das despesas financeiras.

O grande peso continuou vindo dos juros e de outras despesas financeiras.

O resultado financeiro líquido ficou negativo em cerca de R$ 1,17 bilhão no trimestre. Na prática, a despesa financeira foi superior ao próprio EBITDA ajustado gerado pela empresa no período.

Esse é um dos principais problemas enfrentados pelo varejo nos últimos anos. Empresas que trabalham com margens apertadas e dependem muito de crédito acabam sofrendo quando os juros permanecem altos por muito tempo.

No caso da Casas Bahia, o efeito aparece dos dois lados. O consumidor encontra parcelas mais caras e pode adiar a compra de uma geladeira, televisão ou sofá. Ao mesmo tempo, a companhia também paga mais para financiar sua própria operação.

Por isso, reduzir custos virou uma questão central para a recuperação.

Menos lojas e mais digital

Outro ponto que ajuda a entender a estratégia está no comportamento das vendas.

No primeiro trimestre, as vendas digitais de produtos próprios da Casas Bahia avançaram cerca de 26%, enquanto as vendas nas lojas físicas apresentaram queda próxima de 1,8%.

Esse contraste é importante.

Enquanto o canal online continua crescendo, parte da rede física perde produtividade. Para a companhia, manter lojas que vendem pouco pode deixar de fazer sentido se uma parcela relevante dos consumidores já compra pelo site ou aplicativo.

Isso não significa que a Casas Bahia vá abandonar as lojas.

No varejo de móveis e eletrodomésticos, o ponto físico ainda possui valor. Muitos consumidores preferem ver o produto antes da compra, conversar com um vendedor, retirar mercadorias na loja ou resolver trocas e problemas presencialmente.

A questão passa a ser outra: quantas lojas são realmente necessárias?

Uma empresa pode faturar menos e, mesmo assim, se tornar mais saudável se conseguir cortar custos em uma proporção maior do que a perda de receita.

Esse parece ser um dos objetivos do atual movimento.

Fechar unidades pouco rentáveis pode reduzir despesas com aluguel, pessoal, estoques e manutenção. O desafio será fazer isso sem perder clientes e sem comprometer a força da marca em regiões importantes.

É aí que o mercado deverá concentrar sua atenção.

Demissões podem chegar a milhares de trabalhadores

A redução da estrutura também traz um impacto direto sobre o emprego.

Segundo as informações divulgadas nesta semana, aproximadamente 600 funcionários teriam sido desligados na quinta-feira, 13 de agosto, e outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estariam programados para sexta-feira. Uma fonte ouvida pelo Valor Econômico estimou que o número final poderia chegar perto de 3 mil pessoas.

Até o momento, porém, a companhia não apresentou publicamente um detalhamento confirmando todos esses números.

Essa diferença é importante porque existe uma grande distância entre 1,9 mil desligamentos já citados nas reportagens e uma estimativa de quase 3 mil. Por isso, o número maior deve ser tratado com cautela até que a própria empresa esclareça o tamanho da redução.

De qualquer maneira, o impacto é relevante.

Uma loja envolve vendedores, caixas, gerentes, estoquistas e equipes de apoio. O fechamento de centenas de unidades também afeta prestadores de serviços, fornecedores locais, shoppings e áreas comerciais onde essas operações estavam instaladas.

O efeito, portanto, vai além do balanço da companhia.

Balanço do segundo trimestre ganha ainda mais importância

A divulgação dos resultados do segundo trimestre também passou a ser acompanhada com muito mais atenção.

O balanço estava inicialmente previsto para quarta-feira, 12 de agosto, mas foi transferido para sexta-feira, 14 de agosto. A empresa informou que precisava concluir os procedimentos necessários para finalizar e aprovar as demonstrações financeiras.

A apresentação dos resultados foi marcada para segunda-feira, 17 de agosto.

O mercado deverá usar essa oportunidade para buscar respostas sobre o fechamento das lojas, as demissões e o tamanho que a estrutura da companhia terá daqui para frente.

Mais do que saber quanto a Casas Bahia vendeu entre abril e junho, os investidores querem entender qual será o próximo passo da reestruturação.

Entre as principais perguntas estão o valor da economia gerada pelo fechamento das unidades, o impacto sobre a receita, a velocidade de redução das despesas e a capacidade da companhia de continuar gerando caixa.

Também será importante observar se o negócio consegue avançar na direção mais difícil de todas: voltar ao lucro.

Cortar custos ajuda, mas não resolve tudo

Uma empresa não precisa ser maior para ser melhor.

No mercado, o que importa não é apenas quantidade de lojas ou faturamento. O que realmente sustenta um negócio no longo prazo é a capacidade de gerar caixa, pagar suas dívidas e produzir retorno.

Nesse sentido, uma Casas Bahia com 700 ou 800 lojas lucrativas pode ser mais saudável do que uma companhia com mais de mil unidades carregando operações deficitárias.

O problema está em encontrar esse equilíbrio.

Se a empresa reduzir fortemente as despesas e mantiver boa parte das vendas através das lojas restantes e dos canais digitais, a reestruturação poderá acelerar a recuperação.

Se o fechamento atingir locais importantes e provocar uma queda forte no faturamento, a economia pode acabar sendo menor do que o esperado.

Esse é o ponto que ainda precisa ser provado.

A Casas Bahia avançou na redução da dívida e apresentou melhora na geração de caixa, mas continua registrando prejuízos elevados. O fechamento das lojas mostra que a administração está disposta a fazer mudanças mais profundas para tentar corrigir essa situação.

A companhia parece estar caminhando para um modelo com menos lojas, maior participação do comércio eletrônico e uma estrutura mais enxuta.

Pode funcionar.

Mas o sucesso dessa estratégia dependerá de uma conta bastante simples: a empresa precisa conseguir cortar mais despesas do que vendas.

Se isso acontecer, uma Casas Bahia menor pode sair desse processo mais eficiente e financeiramente saudável.

Se a redução da estrutura vier acompanhada de uma queda semelhante na receita, o problema continuará praticamente no mesmo lugar.

Por isso, o fechamento das 298 lojas não deve ser visto apenas como mais uma rodada de cortes. Ele pode representar uma das maiores mudanças na operação da Casas Bahia nos últimos anos.

Os próximos balanços mostrarão se estamos diante de uma empresa simplesmente diminuindo para sobreviver ou de uma companhia que finalmente encontrou um tamanho capaz de voltar a crescer de forma sustentável.

Este conteúdo tem caráter informativo e não representa recomendação de compra ou venda de ações.

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