O Nubank acaba de atingir um marco que poucos imaginariam quando o cartão roxo começou a disputar espaço com os grandes bancos brasileiros. No segundo trimestre de 2026, a instituição registrou lucro líquido de aproximadamente US$ 1,06 bilhão, ultrapassando pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão em apenas três meses. O resultado cresceu 49% em relação ao mesmo período do ano passado em base cambial neutra e ainda ficou acima da expectativa de aproximadamente US$ 967 milhões dos analistas consultados pela Visible Alpha.
A reação dos investidores foi imediata. Depois da divulgação do balanço na noite de quinta-feira, 13 de agosto, as ações da Nu Holdings chegaram a avançar cerca de 9,5% nas negociações posteriores ao fechamento de Wall Street. O movimento continuou nesta sexta-feira: NU terminou a sessão na região de US$ 15,23, alta próxima de 9,3%, depois de alcançar US$ 16,17 na máxima do dia.
O número chama atenção por si só, mas talvez a parte mais importante do balanço esteja na forma como esse lucro está sendo construído. O Nubank não está simplesmente aumentando sua base de clientes. A empresa consegue fazer com que uma parcela maior dessas pessoas utilize seus produtos com frequência, deixe dinheiro depositado na plataforma e contrate serviços de crédito. Isso aumenta a receita gerada por cliente e permite que uma estrutura originalmente criada para ser muito mais barata que a de um banco tradicional produza uma rentabilidade cada vez maior.
Só que existe outro lado dessa estratégia. O Nubank também está aumentando sua exposição ao crédito, principalmente em modalidades sem garantia, justamente no momento em que o endividamento das famílias brasileiras preocupa e alguns dos maiores bancos do país estão ficando mais seletivos para emprestar. A inadimplência acima de 90 dias do Nubank avançou para 6,9% no segundo trimestre, contra aproximadamente 6,5% três meses antes. Esse talvez seja o principal indicador que o investidor precisará acompanhar daqui para frente.
De um cartão sem anuidade para 139 milhões de clientes
Para entender o tamanho que o Nubank alcançou, basta olhar para a quantidade de pessoas que hoje possuem algum relacionamento com a instituição.
O grupo encerrou junho com aproximadamente 139 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, depois de adicionar cerca de 4 milhões somente durante o segundo trimestre. Quase 118 milhões estão no Brasil, 15,8 milhões no México e mais de 5 milhões na Colômbia. Em julho, a operação mexicana já havia atingido 16 milhões de clientes.
Ter milhões de contas abertas, entretanto, não significa necessariamente ganhar dinheiro com todas elas. Durante muitos anos, uma das principais discussões em torno dos bancos digitais era justamente essa: eles conseguiam atrair usuários rapidamente, mas precisavam provar que essa base gigantesca poderia se transformar em lucro sustentável.
É aí que o balanço atual começa a ficar mais interessante.
A taxa mensal de clientes ativos do Nubank chegou a 83,5%, enquanto no Brasil ultrapassou 86% pela primeira vez. Isso significa que uma parcela muito grande da base não está simplesmente mantendo uma conta esquecida no celular. São clientes efetivamente usando produtos e movimentando dinheiro dentro do ecossistema.
Ao mesmo tempo, a receita média mensal por cliente ativo, indicador conhecido como ARPAC, aproximou-se de US$ 17 no trimestre e voltou a crescer na comparação com os três primeiros meses do ano.
Essa combinação talvez explique melhor o resultado do que simplesmente olhar para a entrada de novos clientes.
Imagine um banco que possui 100 milhões de usuários, mas cada um utiliza apenas um produto e gera pouca receita. Agora imagine outra instituição com a mesma quantidade de clientes, porém boa parte deles recebe salário na conta, utiliza cartão de crédito, mantém dinheiro investido, contrata empréstimos, paga contas, utiliza Pix e passa a tratar aquela instituição como banco principal.
O segundo relacionamento vale muito mais.
É justamente esse aprofundamento que o Nubank vem buscando.
A companhia afirma já possuir uma participação elevada como principal instituição financeira de muitos clientes brasileiros e agora tenta avançar também entre consumidores de renda mais alta. Em julho, por exemplo, lançou o Nubank Croma, uma nova proposta voltada ao segmento chamado pela empresa de “Super Core”, enquanto o Ultravioleta continua sendo usado para disputar clientes de alta renda.
Essa movimentação é importante porque mostra uma mudança em relação à imagem que acompanhou o banco digital durante boa parte de sua história. O Nubank nasceu associado principalmente a consumidores insatisfeitos com tarifas, burocracia e dificuldades de relacionamento com os bancos tradicionais. Agora ele tenta ocupar praticamente toda a vida financeira do cliente, inclusive disputando segmentos que historicamente foram extremamente rentáveis para Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil.
Receita se aproxima de US$ 6 bilhões em apenas três meses
O crescimento dessa utilização aparece diretamente no balanço.
A receita bruta do Nubank chegou a quase US$ 5,9 bilhões no segundo trimestre, avanço de 39% em relação ao mesmo período de 2025 em base cambial neutra. A receita líquida de juros, conhecida como NII, alcançou US$ 3,7 bilhões, crescimento de 9% somente na comparação com o trimestre anterior.
A margem financeira também melhorou bastante.
A margem líquida de juros chegou a 22,9%, expansão de 1,8 ponto percentual frente ao trimestre anterior. Segundo a própria companhia, esse desempenho refletiu tanto o crescimento da carteira quanto uma maior participação de empréstimos sem garantia e movimentos deliberados para assumir riscos maiores em determinados segmentos.
Essa última parte merece atenção.
Normalmente, quanto maior o risco assumido por um banco ao emprestar, maior também é a taxa que ele pode cobrar. Isso ajuda a elevar a receita financeira, desde que a quantidade de clientes que deixa de pagar permaneça controlada.
É uma relação relativamente simples de entender.
Emprestar R$ 10 mil para alguém com renda estável, excelente histórico financeiro e um imóvel em garantia oferece um determinado nível de risco. Emprestar os mesmos R$ 10 mil sem nenhuma garantia para uma pessoa com renda menor e histórico financeiro mais instável é outra operação completamente diferente.
Para aceitar o segundo risco, o banco normalmente precisa ser compensado com uma rentabilidade maior.
O Nubank está utilizando sua enorme quantidade de dados e seus modelos próprios de análise justamente para tentar encontrar um equilíbrio entre essas duas coisas: oferecer crédito a clientes que outros bancos eventualmente poderiam rejeitar, cobrar uma taxa compatível com o risco e manter a inadimplência em níveis que ainda permitam ganhar dinheiro.
Até agora, os resultados financeiros mostram que essa estratégia está funcionando.
A margem financeira ajustada pelo risco chegou a 12,4%, contra 9,5% no primeiro trimestre. Esse indicador é especialmente interessante porque desconta o impacto das perdas de crédito e ajuda a mostrar quanto efetivamente sobra da margem depois de considerar o risco assumido pelo banco.
O custo de crédito também recuou na comparação trimestral. Foram aproximadamente US$ 1,7 bilhão, queda de 9%. No trimestre anterior, essa linha havia alcançado US$ 1,79 bilhão e causado preocupação entre investidores.
Parte da melhora teve relação com a sazonalidade normal do segundo trimestre e uma pequena parcela foi favorecida pelo programa de renegociação de dívidas Desenrola. Segundo o diretor financeiro Rob Livingston, o efeito do programa correspondeu a aproximadamente 5% do custo total de crédito, indicando que a redução não ocorreu somente por causa da iniciativa governamental.
Com receitas maiores e uma melhora dessa relação entre retorno e risco, o lucro bruto chegou a US$ 2,4 bilhões, crescimento anual de 43% e avanço de 25% em apenas três meses.
E existe outro número que chama atenção: o retorno sobre o patrimônio líquido, o ROE, atingiu 33%.
O indicador mostra quanto lucro uma companhia consegue produzir em relação ao patrimônio de seus acionistas. Para um banco, é uma das principais medidas de rentabilidade acompanhadas pelo mercado. Um ROE nessa faixa ajuda a explicar por que o balanço foi tão bem recebido pelos investidores.
O crédito virou uma das principais máquinas de crescimento
Se existe uma linha do balanço que ajuda a entender tanto a oportunidade quanto o risco do Nubank, é a carteira de crédito.
Ela terminou junho em US$ 39,4 bilhões, crescimento de 37% em relação ao ano anterior e de 5% frente ao primeiro trimestre. Desse total, aproximadamente US$ 26 bilhões estavam concentrados em cartões de crédito, US$ 10,3 bilhões em empréstimos sem garantia e US$ 3,1 bilhões em modalidades com garantia.
Portanto, uma parcela muito grande da carteira permanece justamente nas modalidades mais sensíveis à condição financeira do consumidor.
Esse ponto ganha ainda mais importância quando observamos o que os bancos tradicionais estão fazendo.
Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil utilizaram seus balanços recentes para sinalizar uma postura mais cautelosa em relação a empréstimos sem garantia e clientes considerados de maior risco. Os bancos vêm direcionando crescimento para consignado, operações com garantia e consumidores com perfil financeiro mais sólido.
O Nubank ocupa uma posição diferente.
Sua carteira é fortemente ligada justamente ao cartão e ao empréstimo pessoal sem garantia. E, até o momento, a instituição demonstra disposição para continuar crescendo nesses segmentos, argumentando que seus dados, tecnologia e modelos de concessão permitem avaliar o risco com maior precisão.
Essa diferença pode representar uma enorme oportunidade.
Se os bancos tradicionais rejeitam determinados clientes e o Nubank consegue identificar quais deles ainda possuem capacidade de pagamento, a instituição conquista clientes, aumenta sua carteira e consegue gerar margens bastante elevadas.
Mas também existe um risco evidente.
Caso a situação financeira das famílias piore de maneira mais ampla, a exposição ao crédito sem garantia pode produzir perdas rapidamente.
É justamente por isso que o índice de inadimplência de 6,9% precisa ser analisado com cuidado.
O indicador considera operações vencidas há mais de 90 dias e avançou aproximadamente 0,35 ponto percentual durante o trimestre. Segundo o Nubank, a alta aconteceu principalmente porque atrasos mais recentes registrados no primeiro trimestre avançaram naturalmente para a faixa superior a 90 dias.
Ao mesmo tempo, existe um sinal mais positivo na etapa anterior da inadimplência.
Os atrasos entre 15 e 90 dias recuaram para 4,8%, queda de 0,16 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. Esse indicador funciona como uma espécie de termômetro antecipado: parte dos clientes que entra nessa faixa pode, posteriormente, migrar para atrasos superiores a 90 dias.
A administração afirma que boa parte dessa melhora é sazonal e continua sustentando que não existe deterioração generalizada da qualidade do consumidor.
Ainda assim, o cenário brasileiro exige atenção.
Nesta mesma semana, executivos de grandes bancos brasileiros demonstraram preocupação com o nível de endividamento das famílias e a capacidade de alguns consumidores continuarem absorvendo novas dívidas. Itaú, Bradesco e Santander estão entre as instituições que vêm reduzindo o apetite por determinados tipos de crédito sem garantia.
Isso cria uma situação interessante para os próximos balanços do Nubank.
Se a fintech conseguir continuar aumentando o crédito, mantendo margens elevadas e estabilizando a inadimplência, poderá provar que seus modelos de análise realmente entregam uma vantagem competitiva relevante.
Caso a inadimplência avance muito mais rápido que a receita, entretanto, a mesma carteira que hoje impulsiona o lucro pode se transformar em pressão sobre os resultados.
Tecnologia e inteligência artificial entram cada vez mais nessa equação
Existe uma característica importante na forma como o Nubank pretende administrar esse risco: dados.
A empresa lançou o NuFormer, um modelo próprio de inteligência artificial desenvolvido para analisar comportamento financeiro e utilizar o histórico de transações acumulado ao longo de mais de uma década.
Segundo o Nubank, a tecnologia já está sendo usada em cartões de crédito no Brasil e no México e em empréstimos sem garantia no Brasil. Modelos para pequenas empresas e cartões colombianos também estão em testes.
Isso é mais estratégico do que pode parecer.
Cada pagamento, transferência, depósito, compra e comportamento financeiro produz sinais sobre a situação de um cliente. Quanto mais produtos uma pessoa utiliza dentro da mesma instituição, maior é a quantidade de informações disponíveis para decidir se é seguro oferecer mais crédito.
O Nubank afirma que clientes que o utilizam como principal relacionamento bancário apresentam inadimplência equivalente a aproximadamente metade da média de sua carteira. Para a companhia, isso demonstra que aprofundar o relacionamento não serve apenas para aumentar receita, mas também melhora a qualidade das informações usadas na concessão de crédito.
É uma vantagem que pode se tornar ainda maior conforme a inteligência artificial melhora.
A empresa afirma ainda que agentes de IA já atendem mais de 60% das conversas de suporte ao cliente no Brasil, com desempenho considerado por ela equivalente ou superior ao atendimento humano nesses casos.
Isso ajuda a explicar outra característica importante do modelo de negócios: escala.
Um banco tradicional que dobra o número de clientes normalmente precisa ampliar estruturas, atendimento, sistemas e equipes. Uma plataforma digital também possui custos crescentes, evidentemente, mas consegue diluir uma parcela maior dessas despesas conforme aumenta sua base.
Esse efeito aparece no índice de eficiência do Nubank, que ficou em 19,5% no trimestre. O número subiu em relação aos 17,6% do primeiro trimestre principalmente por despesas de marketing, imóveis e expansão internacional, mas ainda ficou abaixo dos 21,3% registrados um ano antes.
Quanto menor esse indicador, de maneira geral, menor é a quantidade da receita consumida pelos custos operacionais.
É uma das razões pelas quais um banco digital pode atender milhões de clientes e manter um custo relativamente baixo por usuário.
México já começa a deixar de ser apenas uma promessa
Outro ponto importante do balanço está fora do Brasil.
O México se tornou uma das principais apostas de crescimento do Nubank e já possui aproximadamente 16 milhões de clientes. Em agosto, a companhia lançou oficialmente sua operação bancária licenciada no país, deixando de atuar somente como uma fintech de crédito e passando a ter uma estrutura bancária mais ampla.
A instituição já alcança aproximadamente 16,5% da população adulta mexicana, segundo os dados divulgados pela empresa. O Nubank argumenta ainda que os clientes mexicanos começam a gerar receita mais cedo do que aconteceu no início da operação brasileira. O ARPAC mexicano estaria em US$ 12,30 em uma fase de desenvolvimento comparável àquela em que o Brasil gerava US$ 5,60.
Existe, portanto, uma espécie de segunda oportunidade de crescimento.
No Brasil, o Nubank já chegou a quase 118 milhões de clientes e atende uma parcela enorme da população adulta. Isso torna cada vez mais difícil repetir indefinidamente o crescimento simplesmente adicionando novos usuários.
O caminho passa a ser ganhar mais dinheiro com os clientes existentes.
No México e na Colômbia, entretanto, ainda existe espaço tanto para aquisição quanto para aumento da utilização.
Os depósitos totais da companhia chegaram a US$ 45,3 bilhões, avanço de 18% na comparação anual e 6% frente ao trimestre anterior. Desse montante, US$ 36,4 bilhões estavam no Brasil, US$ 5,7 bilhões no México e US$ 3,3 bilhões na Colômbia.
Depósitos são particularmente importantes porque ajudam a financiar a expansão do crédito.
Quanto mais dinheiro os clientes deixam dentro da instituição, menor tende a ser a dependência de fontes externas e potencialmente mais caras para financiar novos empréstimos.
O Nubank também quer subir de renda
Existe ainda outro movimento que pode mudar bastante o perfil do banco nos próximos anos.
Depois de conquistar grande participação entre clientes do mercado de massa, o Nubank está aumentando o foco nos consumidores de maior renda.
O Ultravioleta já funciona como principal produto nessa disputa. Agora, a companhia lançou também o Croma, direcionado a um segmento intermediário entre sua base tradicional e os consumidores de alta renda. A estratégia inclui experiências diferenciadas, benefícios adicionais e maior oferta de crédito para clientes que concentram uma parcela maior de suas finanças na plataforma.
A lógica é relativamente clara.
Clientes de maior renda normalmente possuem patrimônio maior, utilizam mais produtos financeiros, gastam mais no cartão, investem valores superiores e podem consumir serviços de maior margem.
Para o Nubank, conseguir levar o relacionamento que construiu no mercado de massa para esses consumidores abre uma nova fonte de receita sem necessariamente depender de conquistar dezenas de milhões de novos usuários.
Mas essa mudança também coloca a instituição em confronto ainda mais direto com áreas extremamente rentáveis dos grandes bancos.
Itaú Personnalité, Bradesco Prime, Santander Select, BB Estilo e outras plataformas foram construídas justamente para manter clientes com maior renda e patrimônio.
Depois de revolucionar a conta básica e o cartão de crédito, o próximo desafio do Nubank talvez seja provar que consegue competir também nesse território.
Por que as ações reagiram tão forte?
A alta das ações depois do balanço não aconteceu apenas porque o lucro ultrapassou US$ 1 bilhão.
O resultado superou expectativas em várias linhas importantes.
A receita de US$ 5,88 bilhões ficou acima da projeção de aproximadamente US$ 5,60 bilhões compilada pela Visible Alpha. A margem financeira ajustada pelo risco também surpreendeu positivamente e chegou a 12,4%, enquanto analistas do JPMorgan indicaram que mesmo investidores mais otimistas trabalhavam com algo próximo de 11%.
O custo de crédito também caiu em relação ao trimestre anterior justamente depois de ter se tornado uma das principais preocupações no resultado do primeiro trimestre.
Em outras palavras, o mercado recebeu três informações positivas ao mesmo tempo: crescimento forte da receita, lucro maior que o esperado e uma relação entre rentabilidade e risco melhor do que muitos investidores projetavam.
Por isso, as ações dispararam.
Mas seria um erro interpretar essa reação como se os riscos tivessem desaparecido.
A carteira de crédito cresceu 37% em um ano. O custo de crédito, mesmo recuando frente ao primeiro trimestre, ainda ficou cerca de 60% acima do registrado um ano antes. E a inadimplência superior a 90 dias atingiu 6,9%.
O mercado está apostando que o Nubank conseguirá continuar crescendo mais rápido do que essas perdas.
É essa conta que precisa continuar fechando.
O que acompanhar nos próximos resultados do Nubank
Para quem acompanha as ações NU ou simplesmente quer entender a transformação do sistema bancário brasileiro, alguns números serão especialmente importantes daqui para frente.
O primeiro é a inadimplência.
Uma oscilação isolada de 6,5% para 6,9% não determina sozinha uma tendência. O problema apareceria se os atrasos continuassem acelerando durante vários trimestres ao mesmo tempo em que o custo do crédito aumentasse de maneira mais rápida que as receitas.
O segundo indicador é a margem financeira ajustada pelo risco.
Enquanto o Nubank conseguir manter esse número elevado, significa que o retorno obtido com os empréstimos continua compensando as perdas geradas pelos clientes que não pagam.
O terceiro será o crescimento da receita por cliente.
Com quase 118 milhões de clientes somente no Brasil, o potencial de adicionar usuários naturalmente começa a encontrar limites. Para continuar crescendo no mesmo ritmo, o banco precisará fazer cada cliente utilizar mais produtos.
E existe ainda a expansão internacional.
México e Colômbia podem passar de operações que consomem investimento para motores relevantes de lucro. Se isso acontecer, o Nubank deixará de depender tanto do mercado brasileiro para sustentar o crescimento futuro.
O resultado do segundo trimestre de 2026 é histórico porque mostra que um banco digital criado há apenas 13 anos conseguiu chegar ao ponto de produzir mais de US$ 1 bilhão de lucro em um único trimestre. Isso coloca o Nubank definitivamente em outra escala dentro do sistema financeiro latino-americano.
Mas existe uma diferença entre chegar a essa marca uma vez e transformá-la em um novo padrão.
É justamente aí que começa a próxima fase da história.
O Nubank está aumentando receitas, aprofundando o relacionamento com seus clientes, expandindo no México, utilizando inteligência artificial para analisar crédito e entrando em segmentos de maior renda. Ao mesmo tempo, está ampliando uma carteira fortemente ligada a cartões e empréstimos sem garantia em um país no qual o endividamento das famílias já preocupa os bancos tradicionais.
Se conseguir continuar crescendo mantendo o risco sob controle, o resultado deste trimestre pode deixar de parecer excepcional e passar a representar o novo tamanho do Nubank.
Se a inadimplência acelerar, entretanto, o mercado rapidamente voltará sua atenção para o outro lado dessa estratégia.
Por enquanto, o balanço mostra uma instituição em sua fase mais lucrativa até aqui. O lucro acima de US$ 1 bilhão prova que o modelo conseguiu ganhar escala. Os próximos trimestres precisarão provar que essa escala também consegue conviver com uma carteira de crédito cada vez maior sem perder qualidade.
Este conteúdo possui caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de compra ou venda de ações.










