Genial/Quaest mostra Lula com 39% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 30%. No segundo turno, a vantagem do presidente cai de oito para cinco pontos, reforçando um cenário eleitoral competitivo e acompanhado de perto pelo mercado financeiro.
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 5 de agosto, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, na liderança da corrida presidencial de 2026. Ao mesmo tempo, o levantamento registra um avanço do senador Flávio Bolsonaro, do PL, que reduziu a diferença em relação ao presidente tanto no primeiro quanto no segundo turno.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 30%. A vantagem do presidente é de nove pontos percentuais. Na pesquisa anterior da Quaest, realizada em julho, Lula tinha 40% e Flávio registrava 28%, uma distância de 12 pontos. Apesar da aproximação nominal, o instituto considera o quadro estável dentro da margem de erro.
Na principal simulação de segundo turno, Lula possui 44%, contra 39% de Flávio Bolsonaro. Em julho, o resultado era de 45% a 37%. A diferença entre os dois candidatos, portanto, caiu nominalmente de oito para cinco pontos percentuais.
O levantamento reforça uma tendência observada também na pesquisa BTG/Nexus, que apresentou uma disputa ainda mais próxima. O Datafolha, por outro lado, mostrou uma distância semelhante à da Quaest no segundo turno, embora com percentuais mais altos para os dois candidatos.
A leitura conjunta indica que Lula continua numericamente à frente nos três institutos, mas a vantagem varia conforme a metodologia e o período de realização das entrevistas. A eleição está marcada para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.
Maioria ainda não escolheu candidato na pesquisa espontânea
A Genial/Quaest apresentou dois tipos de levantamento. Na pesquisa espontânea, os entrevistadores perguntam em quem o eleitor pretende votar sem mostrar uma lista de candidatos. Esse modelo ajuda a medir quais nomes já estão consolidados na memória e na preferência do público.
No cenário espontâneo, mais da metade dos entrevistados ainda não conseguiu indicar um candidato:
| Candidato ou resposta | Intenção de voto |
|---|---|
| Lula | 25% |
| Flávio Bolsonaro | 18% |
| Jair Bolsonaro | 1% |
| Outros nomes | 3% |
| Indecisos | 51% |
O número de indecisos é significativamente maior do que no cenário estimulado. Isso acontece porque muitos eleitores somente manifestam uma preferência quando recebem uma lista com os possíveis candidatos.
A presença de Jair Bolsonaro com 1%, mesmo sem participar da disputa, também mostra que uma pequena parcela do eleitorado ainda associa espontaneamente seu nome à corrida presidencial. O ex-presidente foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023, após o TSE reconhecer abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação no episódio da reunião com embaixadores.
Os 51% de indecisos na pesquisa espontânea não significam necessariamente que metade do país chegará à eleição sem candidato. Esse percentual tende a diminuir quando a campanha avança, os nomes ficam mais conhecidos e aumentam a propaganda eleitoral, as entrevistas e os debates.
Ainda assim, o dado mostra que uma parcela expressiva dos eleitores não possui uma escolha espontânea consolidada. Esse grupo poderá ser disputado durante as próximas semanas.
Lula abre nove pontos no primeiro turno estimulado
Na pesquisa estimulada, os entrevistadores apresentam os nomes dos candidatos e pedem que o eleitor escolha uma das opções. Nesse modelo, Lula lidera com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 30%.
Confira os números completos:
| Candidato | Partido | Intenção de voto |
|---|---|---|
| Lula | PT | 39% |
| Flávio Bolsonaro | PL | 30% |
| Renan Santos | Missão | 4% |
| Ronaldo Caiado | PSD | 4% |
| Romeu Zema | Novo | 2% |
| Cabo Daciolo | Mobiliza | 1% |
| Augusto Cury | Avante | 1% |
| Samara Martins | UP | 1% |
| Clariana Barão | DC | 0% |
| Edmilson Costa | PCB | 0% |
| Hertz Dias | PSTU | 0% |
| Leonardo Avalanche | PRTB | 0% |
| Branco, nulo ou não pretende votar | — | 8% |
| Indecisos | — | 10% |
A soma de Lula e Flávio Bolsonaro chega a 69%, demonstrando forte concentração das intenções de voto nos dois principais candidatos. Os demais nomes permanecem abaixo de 5%, enquanto 18% estão indecisos ou afirmam que votarão em branco, anularão o voto ou não comparecerão.
Na comparação com julho, Lula oscilou de 40% para 39%, enquanto Flávio avançou de 28% para 30%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, as variações individuais estão dentro do intervalo previsto pelo levantamento.
Por isso, embora a diferença tenha recuado nominalmente de 12 para nove pontos, não é possível tratar essa mudança isolada como uma transformação definitiva do eleitorado. Para identificar uma tendência consistente, será necessário acompanhar as próximas rodadas da própria Quaest.
Lula vence todos os cenários de segundo turno testados
A Genial/Quaest simulou quatro possíveis confrontos de segundo turno. Lula aparece numericamente à frente em todos eles.
Lula contra Flávio Bolsonaro
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Lula | 44% |
| Flávio Bolsonaro | 39% |
| Branco, nulo ou não pretende votar | 13% |
| Indecisos | 4% |
Este é o confronto mais equilibrado entre os quatro testados. A vantagem de Lula caiu de oito pontos em julho para cinco pontos em agosto, depois de Flávio passar de 37% para 39% e o presidente oscilar de 45% para 44%.
Lula contra Renan Santos
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Lula | 45% |
| Renan Santos | 35% |
| Branco, nulo ou não pretende votar | 16% |
| Indecisos | 4% |
Lula contra Romeu Zema
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Lula | 46% |
| Romeu Zema | 34% |
| Branco, nulo ou não pretende votar | 16% |
| Indecisos | 4% |
Lula contra Ronaldo Caiado
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Lula | 45% |
| Ronaldo Caiado | 37% |
| Branco, nulo ou não pretende votar | 14% |
| Indecisos | 4% |
Lula possui dez pontos de vantagem sobre Renan Santos, 12 sobre Romeu Zema e oito sobre Ronaldo Caiado. Os percentuais de votos brancos, nulos e de eleitores que dizem não votar também são mais elevados nesses confrontos do que na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Uma explicação possível é o menor nível de conhecimento dos candidatos da direita não bolsonarista. Segundo a Quaest, 44% dizem não conhecer Ronaldo Caiado, 49% não conhecem Romeu Zema e 65% não conhecem Renan Santos.
Isso representa simultaneamente uma dificuldade e uma oportunidade. O desconhecimento limita o desempenho atual, mas também significa que esses candidatos ainda poderão crescer à medida que ganharem exposição nacional.
Como a Quaest se compara com Nexus e Datafolha
Os três levantamentos mais recentes colocam Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro, mas apresentam diferenças importantes no tamanho da vantagem.
Primeiro turno
| Instituto | Lula | Flávio Bolsonaro | Diferença nominal |
|---|---|---|---|
| Genial/Quaest | 39% | 30% | 9 pontos |
| BTG/Nexus | 41% | 37% | 4 pontos |
| Datafolha | 40% | 32% | 8 pontos |
Segundo turno
| Instituto | Lula | Flávio Bolsonaro | Diferença nominal |
|---|---|---|---|
| Genial/Quaest | 44% | 39% | 5 pontos |
| BTG/Nexus | 46% | 45% | 1 ponto |
| Datafolha | 48% | 43% | 5 pontos |
Quaest e Datafolha apresentam distâncias semelhantes: nove e oito pontos no primeiro turno, respectivamente, e cinco pontos no segundo. A Nexus mostra uma disputa mais apertada, com quatro pontos de diferença no primeiro turno e apenas um no segundo.
Os resultados não devem ser interpretados como uma contradição automática. Os institutos usam métodos diferentes, realizaram as entrevistas em datas distintas e podem adotar critérios próprios de amostragem, ponderação e formulação das perguntas.
Nexus mostra disputa dentro da margem de erro
A pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 3 de agosto, mostrou Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. A diferença de quatro pontos ficou dentro da margem de erro informada pelo instituto.
Na rodada anterior, Lula tinha 42% e Flávio, 33%. O presidente oscilou um ponto para baixo, enquanto o senador avançou quatro pontos.
Os demais candidatos aparecem com percentuais próximos aos observados pela Quaest:
| Candidato | Nexus/BTG |
|---|---|
| Lula | 41% |
| Flávio Bolsonaro | 37% |
| Ronaldo Caiado | 5% |
| Renan Santos | 4% |
| Romeu Zema | 3% |
No segundo turno, a Nexus apresenta o cenário mais equilibrado entre os três principais institutos: Lula possui 46%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 45%. A diferença de apenas um ponto representa empate técnico. Na rodada anterior, o resultado era de 47% a 43%.
Outro dado relevante é o grau de consolidação do voto. Entre os eleitores que escolheram um candidato no primeiro turno, 75% disseram que sua decisão já está tomada e não deverá mudar. O percentual chega a 83% entre os eleitores de Lula e a 80% entre os de Flávio.
Esses números indicam uma disputa polarizada, com bases relativamente fiéis. O espaço para crescimento poderá depender principalmente dos eleitores ainda indecisos ou que admitem mudar de candidato.
Datafolha apresenta vantagem de oito pontos no primeiro turno
O Datafolha divulgado em 24 de julho mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 32% no cenário estimulado de primeiro turno.
Na pesquisa espontânea, Lula registrou 30%, contra 17% de Flávio. Outros 37% não souberam responder.
Confira o cenário estimulado:
| Candidato | Datafolha |
|---|---|
| Lula | 40% |
| Flávio Bolsonaro | 32% |
| Ronaldo Caiado | 4% |
| Renan Santos | 3% |
| Romeu Zema | 3% |
| Augusto Cury | 2% |
| Samara Martins | 1% |
| Cabo Daciolo | 1% |
| Rui Costa Pimenta | 1% |
| Branco, nulo ou nenhum | 8% |
| Indecisos | 3% |
Em eventual segundo turno, Lula alcança 48%, contra 43% de Flávio Bolsonaro. A diferença de cinco pontos é igual à registrada pela nova Quaest, embora os percentuais absolutos dos dois candidatos sejam maiores no Datafolha.
O Datafolha também simulou Lula contra Ronaldo Caiado e Romeu Zema:
| Confronto | Lula | Adversário |
|---|---|---|
| Lula x Flávio Bolsonaro | 48% | 43% |
| Lula x Ronaldo Caiado | 47% | 40% |
| Lula x Romeu Zema | 48% | 40% |
Entre os cenários testados pelo instituto, Flávio Bolsonaro é o adversário que fica mais próximo de Lula.
O que explica as diferenças entre os institutos?
As pesquisas não entrevistam exatamente as mesmas pessoas nem utilizam obrigatoriamente a mesma forma de coleta.
A Quaest ouviu presencialmente e em domicílio 2.004 eleitores, entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. O levantamento foi contratado pelo Banco Genial e registrado no TSE sob o número BR-06591/2026.
A Nexus entrevistou 2.002 eleitores por telefone, entre 31 de julho e 2 de agosto. A margem de erro também é de dois pontos, com confiança de 95%. O registro no TSE é BR-02874/2026.
O Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios, nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o registro no TSE é BR-01166/2026.
Portanto, além das metodologias distintas, o Datafolha foi realizado mais de uma semana antes de Quaest e Nexus. A opinião pública pode mudar durante esse intervalo, principalmente em um período de intensificação da campanha.
Também podem existir diferenças na composição das amostras, na ordem das perguntas e na forma como os nomes são apresentados. Por esse motivo, a análise mais segura é acompanhar a evolução de cada instituto dentro de sua própria série histórica.
O que a margem de erro realmente significa?
A margem de erro existe porque os institutos entrevistam uma amostra da população, e não todos os eleitores do país.
Na Quaest, Lula aparece com 44% no segundo turno. Em uma leitura simplificada, o percentual estimado pode variar em torno de 42% a 46%. Flávio Bolsonaro, com 39%, poderia estar aproximadamente entre 37% e 41%.
Isso não significa que seja correto apenas somar ou subtrair as margens e declarar automaticamente um empate. A análise estatística da diferença entre dois candidatos depende da metodologia e da correlação entre as respostas.
O resultado da Quaest deve ser descrito como uma liderança numérica de cinco pontos para Lula. A própria comparação com julho foi classificada como estável dentro da margem de erro.
Na Nexus, a diferença de apenas um ponto no segundo turno configura um cenário de empate técnico. O próprio instituto descreve o quadro como de equilíbrio e informa que a distância está dentro da margem.
Pesquisa eleitoral também não é uma previsão exata do resultado das urnas. Ela representa uma estimativa das preferências dos eleitores no período em que as entrevistas foram realizadas.
Rejeição elevada limita o crescimento dos principais candidatos
A rejeição pode ser uma das variáveis decisivas da eleição de 2026.
Na Quaest, 54% afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 52% rejeitam Lula. Na rodada de julho, Flávio tinha 57% de rejeição e Lula, 50%. A distância entre eles caiu de sete para dois pontos.
O movimento ocorreu em direções diferentes: a rejeição a Flávio diminuiu três pontos, enquanto a de Lula aumentou dois. Considerando a margem de erro, os dois candidatos estão em patamares próximos.
O Datafolha também mostra os dois liderando a rejeição. Flávio Bolsonaro registra 48%, e Lula, 46%. Os demais candidatos aparecem consideravelmente abaixo:
| Candidato | Rejeição no Datafolha |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 48% |
| Lula | 46% |
| Romeu Zema | 13% |
| Cabo Daciolo | 12% |
| Ronaldo Caiado | 12% |
| Renan Santos | 12% |
| Rui Costa Pimenta | 11% |
| Samara Martins | 9% |
| Edmilson Costa | 8% |
| Leonardo Avalanche | 8% |
| Augusto Cury | 7% |
| Hertz Dias | 7% |
Os percentuais do Datafolha foram obtidos em uma questão de múltipla escolha, na qual o entrevistado podia apontar em quem não votaria de jeito nenhum. Por isso, a soma ultrapassa 100%.
A rejeição elevada significa que Lula e Flávio possuem bases eleitorais relevantes, mas também enfrentam resistência de aproximadamente metade da população. Em uma disputa polarizada, conquistar novos votos pode ser tão importante quanto impedir que a rejeição cresça.
Avaliação do governo permanece dividida
A Quaest mostra um equilíbrio na avaliação da administração federal. O governo Lula é considerado positivo por 36% dos entrevistados e negativo por outros 36%. Para 26%, a gestão é regular.
Em uma pergunta diferente, sobre aprovação pessoal do trabalho do presidente, 48% afirmam aprovar Lula e 47% desaprovam. Os percentuais ficaram estáveis em relação à pesquisa anterior.
Uma avaliação de governo dividida ajuda a explicar por que Lula mantém uma base expressiva, mas encontra dificuldades para ampliar sua vantagem.
Eleitores que consideram o governo regular poderão desempenhar um papel importante. Parte desse grupo pode votar pela continuidade, enquanto outra parte poderá escolher um candidato de oposição, dependendo da percepção sobre economia, emprego, inflação, segurança e serviços públicos.
O que os números representam para Lula
Lula permanece na liderança das pesquisas Quaest, Datafolha e Nexus. Também vence todos os confrontos de segundo turno testados pela Quaest e pelo Datafolha.
Entretanto, a nova rodada mostra que sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminuiu nominalmente. No segundo turno da Quaest, a distância caiu de oito para cinco pontos. Na Nexus, recuou de quatro para apenas um.
A rejeição de 52% na Quaest, a divisão na avaliação do governo e o grande número de eleitores sem candidato espontâneo indicam que a liderança ainda não garante uma vitória definida.
O desafio do presidente será manter sua base, diminuir a rejeição e ampliar o apoio fora do eleitorado que já se identifica com o PT ou aprova sua gestão.
O que os números representam para Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro aparece consolidado como principal adversário de Lula nos três levantamentos. Seu desempenho varia de 30% na Quaest a 37% na Nexus no primeiro turno.
O senador também conseguiu reduzir a distância em relação ao presidente. Na Quaest, passou de 28% para 30% no primeiro turno e de 37% para 39% no segundo. Na Nexus, avançou de 33% para 37% no primeiro turno e de 43% para 45% no segundo.
Apesar do crescimento, Flávio continua numericamente atrás na Quaest e no Datafolha e enfrenta rejeição elevada. Para ampliar suas chances, precisará conquistar eleitores que não se identificam diretamente com o bolsonarismo e reduzir a resistência ao seu nome.
Por que uma eleição mais apertada pode afetar o mercado financeiro?
O estreitamento da disputa não significa, por si só, que o dólar, a Bolsa ou os juros futuros necessariamente subirão ou cairão.
Os mercados são influenciados por diversos fatores ao mesmo tempo, incluindo cenário internacional, decisões dos bancos centrais, inflação, atividade econômica, preços das commodities, contas públicas e expectativas sobre empresas.
Entretanto, uma eleição mais equilibrada pode aumentar a volatilidade porque obriga investidores a recalcular as probabilidades de diferentes políticas econômicas.
Dólar
O câmbio costuma responder à percepção de risco, ao fluxo de capital e às expectativas sobre inflação, juros e situação fiscal.
Quando aumenta a incerteza sobre o próximo governo, empresas e investidores podem reforçar operações de proteção cambial. Os contratos futuros de dólar negociados na B3 são usados tanto para proteção contra oscilações quanto para negociação de expectativas sobre a moeda.
Isso não significa que a aproximação de um determinado candidato produza automaticamente alta ou queda do dólar. A reação dependerá das propostas econômicas apresentadas, da composição das equipes, das alianças no Congresso e da percepção sobre a capacidade de execução.
Bolsa de Valores
Na Bolsa, a sensibilidade pode variar conforme o setor.
Empresas estatais podem reagir às expectativas sobre governança, investimentos e política de preços. Bancos podem ser influenciados por propostas relacionadas a crédito, tributação e regulação. Construtoras e varejistas tendem a responder às perspectivas para juros, emprego, renda e programas públicos.
Uma mudança nas pesquisas pode fazer os investidores alterarem suas projeções para essas empresas. Porém, a direção do movimento dependerá das políticas atribuídas a cada candidatura e do quanto essas expectativas já estão incorporadas aos preços das ações.
Juros futuros
Os contratos futuros de DI negociados na B3 são instrumentos utilizados para a gestão do risco de taxa de juros. Seus preços refletem expectativas sobre o comportamento futuro dos juros, ainda que também sejam influenciados por oferta, demanda e estratégias de negociação.
Se os investidores passarem a esperar maior inflação, aumento da dívida pública ou dificuldade para cumprir metas fiscais, as taxas dos contratos mais longos podem subir. Caso cresça a confiança em uma política fiscal sustentável e em inflação controlada, os prêmios podem diminuir.
O fator decisivo não é apenas quem aparece na frente, mas o conteúdo das propostas, a credibilidade da equipe econômica e a capacidade de aprovação das medidas no Congresso.
Uma pesquisa isolada não deve orientar investimentos
Investidores devem ter cautela ao tomar decisões baseadas exclusivamente em uma pesquisa eleitoral.
Novos levantamentos poderão apresentar resultados diferentes. Debates, alianças, propaganda eleitoral, acontecimentos econômicos e declarações dos candidatos podem mudar as preferências do eleitorado em pouco tempo.
Também é preciso evitar atribuir automaticamente qualquer oscilação do mercado à pesquisa. Caso o dólar suba no mesmo dia da divulgação, por exemplo, o movimento pode estar relacionado aos juros dos Estados Unidos, à inflação internacional, às commodities ou a outros fatores.
A análise mais consistente deve considerar a tendência de várias pesquisas, as propostas econômicas, a situação fiscal, o cenário externo e os fundamentos das empresas.
Metodologia da Genial/Quaest
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026.
O levantamento foi contratado pelo Banco Genial S.A. e possui:
- Margem de erro de dois pontos percentuais;
- Nível de confiança de 95%;
- Registro no TSE sob o número BR-06591/2026.
Conclusão
A nova pesquisa Genial/Quaest confirma Lula na liderança da eleição presidencial de 2026, mas mostra uma redução nominal da vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
No primeiro turno, Lula possui 39%, contra 30% de Flávio. No segundo, o resultado é de 44% a 39%. Em comparação com julho, a distância caiu de 12 para nove pontos no primeiro turno e de oito para cinco pontos no segundo.
A Nexus apresenta uma disputa ainda mais apertada, com 41% a 37% no primeiro turno e 46% a 45% no segundo. O Datafolha mostra Lula com 40% contra 32% no primeiro turno e 48% contra 43% no confronto final.
Os levantamentos possuem metodologias diferentes, mas apontam uma direção semelhante: Lula continua numericamente à frente, enquanto Flávio Bolsonaro permanece como seu principal adversário e reduz a distância em algumas séries.
A elevada rejeição aos dois candidatos, o grande número de indecisos na pesquisa espontânea e a avaliação dividida do governo mostram que a disputa permanece aberta.
Para o mercado financeiro, uma eleição mais equilibrada pode ampliar as oscilações do dólar, da Bolsa e dos juros futuros. No entanto, qualquer relação deve ser apresentada como análise de risco e mudança de expectativas, e não como uma reação automática ou comprovada à pesquisa.
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