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Stablecoins já representam cerca de 80% das operações com criptomoedas no Brasil; entenda o motivo

Dados divulgados pela Receita Federal mostram uma mudança importante no mercado brasileiro de criptoativos. As stablecoins passaram a concentrar a maior parte das operações declaradas no país, consolidando-se como o principal tipo de criptomoeda utilizado pelos investidores brasileiros.

Durante muitos anos, quando o assunto era criptomoeda, praticamente toda a atenção do mercado estava voltada para ativos como Bitcoin e Ethereum. Afinal, eram eles que apareciam nas manchetes quando registravam fortes altas ou grandes quedas de preço.

Nos últimos anos, porém, outro grupo de ativos digitais passou a ganhar cada vez mais espaço: as stablecoins.

Segundo dados divulgados pela Receita Federal, essas moedas digitais já representam cerca de 80% do volume mensal de operações com criptoativos declaradas no Brasil, um crescimento expressivo em relação aos primeiros anos do mercado. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações com criptoativos, dos quais cerca de R$ 1,13 trilhão envolveram stablecoins.

O levantamento mostra uma mudança importante no comportamento dos investidores brasileiros e também das empresas que utilizam ativos digitais para pagamentos, proteção cambial e operações internacionais.

Mas afinal, o que são as stablecoins? Por que elas cresceram tanto? Elas são mais seguras que o Bitcoin? E o que explica esse domínio no mercado brasileiro?

Neste guia do Finanças e Cia, você entenderá por que essas criptomoedas se tornaram protagonistas do mercado nacional.

O que são stablecoins?

As stablecoins são criptomoedas desenvolvidas para manter um valor relativamente estável ao longo do tempo.

Diferentemente do Bitcoin, que pode subir ou cair vários pontos percentuais em um único dia, as stablecoins procuram acompanhar o preço de um ativo de referência, normalmente uma moeda tradicional como o dólar americano ou o real.

Na maioria dos casos, uma unidade da stablecoin busca manter uma relação próxima de 1 para 1 com a moeda que serve de lastro.

Isso significa que uma stablecoin atrelada ao dólar tende a valer aproximadamente US$ 1, enquanto uma stablecoin vinculada ao real procura acompanhar o valor de R$ 1.

Essa estabilidade faz com que esses ativos sejam utilizados não apenas como investimento, mas também como meio de pagamento, transferência internacional de recursos e proteção contra oscilações cambiais.

Por que as stablecoins cresceram tanto?

O crescimento das stablecoins não aconteceu por acaso.

Durante os últimos anos, investidores passaram a enxergar nesses ativos uma alternativa mais previsível para movimentar recursos dentro do mercado de criptomoedas.

Quem compra Bitcoin ou outras criptomoedas tradicionais está exposto à volatilidade.

Em alguns momentos, isso pode gerar grandes ganhos.

Em outros, perdas igualmente expressivas.

Já as stablecoins oferecem um comportamento muito mais estável.

Por esse motivo, elas passaram a ser amplamente utilizadas como “moeda de transição” entre diferentes operações.

Muitos investidores vendem Bitcoin, por exemplo, e mantêm temporariamente seus recursos em stablecoins até identificarem uma nova oportunidade de investimento.

Além disso, empresas passaram a utilizar esses ativos para pagamentos internacionais, liquidação de operações e proteção contra oscilações do câmbio.

Esse conjunto de fatores impulsionou fortemente sua utilização no Brasil.

Os números impressionam

Os dados divulgados pela Receita Federal mostram claramente essa transformação.

Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025:

  • foram declarados aproximadamente R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptoativos;
  • cerca de R$ 1,13 trilhão envolveram stablecoins;
  • nos anos mais recentes, elas passaram a representar aproximadamente 80% do volume mensal negociado.

Outro dado chama atenção.

Em 2019, as stablecoins representavam apenas 3,5% do mercado declarado.

Já em 2023, chegaram a superar 90% do volume mensal em determinados períodos.

Nos anos de 2024 e 2025, essa participação permaneceu estável entre 76% e 80%, demonstrando que esse crescimento não foi temporário.

A USDT domina o mercado brasileiro

Entre as diversas stablecoins disponíveis atualmente, uma se destaca de forma absoluta.

A Tether (USDT) responde por aproximadamente 88,7% de todo o volume declarado em stablecoins no Brasil, segundo a Receita Federal.

Isso representa cerca de R$ 1 trilhão em operações declaradas no período analisado.

Na sequência aparecem:

  • USDC, também atrelada ao dólar, com cerca de 7,1% do mercado;
  • BRZ (Brazilian Digital Token), vinculada ao real, com aproximadamente 3,4%.

Na prática, isso significa que a maior parte das operações realizadas por brasileiros utiliza stablecoins indexadas ao dólar americano.

Por que investidores preferem stablecoins?

Existem diversos motivos para esse comportamento.

O principal deles é a estabilidade.

Quem deseja permanecer no mercado de criptomoedas sem ficar exposto às grandes oscilações do Bitcoin costuma utilizar stablecoins como alternativa temporária.

Além disso, esses ativos oferecem outras vantagens importantes:

  • facilidade para realizar transferências internacionais;
  • liquidação praticamente imediata;
  • funcionamento 24 horas por dia;
  • negociação inclusive nos finais de semana;
  • integração com diversas plataformas financeiras.

Em muitos casos, empresas também utilizam stablecoins para pagamentos internacionais, reduzindo custos e acelerando operações que tradicionalmente dependeriam do sistema bancário convencional.

Stablecoins substituem o Bitcoin?

Não.

Embora tenham ganhado enorme participação nas operações realizadas no Brasil, as stablecoins possuem objetivos diferentes.

O Bitcoin continua sendo considerado por muitos investidores um ativo de longo prazo e uma possível reserva digital de valor.

Já as stablecoins funcionam principalmente como meio de liquidação financeira e proteção contra volatilidade.

Na prática, os dois tipos de ativos costumam desempenhar funções complementares dentro do mercado de criptomoedas.

Nova obrigação de informar operações

O crescimento das stablecoins também ocorre em um momento de mudanças regulatórias.

Desde julho de 2026, as operações com criptoativos passaram a seguir as regras da DeCripto, sistema criado pela Receita Federal para ampliar o monitoramento das transações envolvendo ativos digitais.

A medida foi instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025 e alinha o Brasil ao padrão internacional conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), desenvolvido pela OCDE para aumentar a transparência nas operações com criptoativos.

O objetivo não é proibir ou restringir investimentos em criptomoedas, mas tornar o compartilhamento de informações mais padronizado e fortalecer o combate à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro.

O mercado deve continuar crescendo?

Especialistas acreditam que sim.

As stablecoins vêm conquistando espaço não apenas entre investidores individuais, mas também em empresas, instituições financeiras e plataformas de pagamentos.

O avanço da tokenização de ativos, dos pagamentos digitais e da integração entre sistemas financeiros tradicionais e blockchain tende a ampliar ainda mais o uso dessas moedas digitais.

Ao mesmo tempo, bancos centrais e órgãos reguladores de diversos países acompanham de perto essa evolução, buscando criar regras capazes de estimular a inovação sem comprometer a segurança do sistema financeiro.

No Brasil, o crescimento observado pela Receita Federal demonstra que as stablecoins deixaram de ser um nicho dentro do universo das criptomoedas para assumir um papel central nas operações realizadas pelos investidores.

Conclusão

Os dados mais recentes da Receita Federal mostram uma mudança significativa no perfil do mercado brasileiro de criptoativos. As stablecoins passaram de uma participação praticamente irrelevante em 2019 para representar cerca de 80% das operações declaradas atualmente, refletindo uma busca crescente por ativos digitais mais estáveis e eficientes para pagamentos, transferências e proteção cambial.

Embora Bitcoin e Ethereum continuem sendo protagonistas quando o assunto é investimento, as stablecoins consolidaram sua importância como instrumentos de liquidez dentro do ecossistema das criptomoedas.

Com a evolução da regulamentação e o crescimento da adoção institucional, a tendência é que essas moedas digitais continuem desempenhando papel cada vez mais relevante no mercado financeiro brasileiro e internacional.


Observação: Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educativo. Investimentos em criptoativos envolvem riscos e estão sujeitos às regras tributárias e regulatórias vigentes. Antes de investir, procure compreender o funcionamento de cada ativo e acompanhe as orientações divulgadas pelos órgãos oficiais competentes.

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