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Eleições 2026: partidos começam a definir candidatos e alianças que disputarão o comando do país

Convenções partidárias oficializam as escolhas internas, reorganizam alianças nacionais e estaduais e iniciam uma nova etapa da disputa eleitoral, com efeitos sobre campanhas, pesquisas e expectativas do mercado financeiro

As Eleições Gerais de 2026 entraram em uma de suas etapas mais importantes. Desde 20 de julho, partidos políticos e federações estão autorizados a realizar convenções para escolher formalmente seus candidatos e decidir quais alianças serão formadas para a disputa dos cargos majoritários. O período termina em 5 de agosto, abrindo caminho para o registro das candidaturas, o início da propaganda eleitoral e a apresentação mais detalhada dos programas de governo.

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026, enquanto um eventual segundo turno para presidente da República e governadores será realizado em 25 de outubro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, 158.745.463 pessoas estão aptas a votar neste ano, aproximadamente 2,3 milhões a mais do que nas eleições de 2022. Além da Presidência da República, estarão em disputa os governos estaduais, vagas no Senado, na Câmara dos Deputados e nas assembleias legislativas — ou na Câmara Legislativa, no caso do Distrito Federal.

As convenções representam a passagem entre a fase das articulações políticas e a formação oficial das chapas. Até esse momento, nomes apresentados em entrevistas, eventos e pesquisas são tratados juridicamente como pré-candidatos. A partir da aprovação na convenção, passam a ser os escolhidos do partido ou da federação, embora ainda precisem apresentar o pedido de registro e ter a candidatura analisada pela Justiça Eleitoral.

É justamente nesse período que negociações envolvendo candidatos a vice, alianças estaduais, candidaturas ao Senado, divisão do tempo de propaganda e distribuição dos recursos de campanha tendem a ganhar maior intensidade. Para o eleitor, as convenções ajudam a esclarecer quem realmente estará na disputa. Para partidos e candidatos, definem a estrutura política e financeira disponível durante a campanha. Para investidores e empresas, começam a tornar mais visíveis as propostas econômicas que poderão influenciar impostos, contas públicas, crédito, investimentos e regulação nos próximos anos.

O que são as convenções e por que elas podem mudar o cenário eleitoral

A convenção partidária é o ato formal no qual um partido ou uma federação escolhe as pessoas que pretende lançar como candidatas e decide sobre a participação em coligações para os cargos majoritários. As deliberações devem respeitar o estatuto de cada legenda ou federação e as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Em 2026, as reuniões podem ser presenciais, virtuais ou híbridas, desde que seja possível identificar os participantes e comprovar sua concordância com as decisões registradas.

Nas eleições gerais, as convenções podem escolher candidaturas para presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual ou deputado distrital. Também podem decidir se a legenda concorrerá isoladamente ou se apoiará uma candidatura majoritária apresentada por outra agremiação.

As decisões precisam constar em uma ata, documento que registra a data, o horário e o local da convenção, os cargos que serão disputados, os nomes escolhidos, os números das candidaturas e a composição das eventuais coligações. A ata e a lista de presença devem ser inseridas no sistema CANDex e transmitidas à Justiça Eleitoral até o dia seguinte ao evento. Posteriormente, as informações são disponibilizadas na plataforma DivulgaCandContas, permitindo a consulta pública.

A escolha na convenção, entretanto, não torna a candidatura automaticamente definitiva. Os partidos, federações e coligações devem apresentar os pedidos de registro até as 19 horas de 15 de agosto. Para a Presidência da República, o pedido é analisado pelo TSE. As candidaturas aos governos estaduais, Senado e casas legislativas são registradas nos respectivos Tribunais Regionais Eleitorais.

Durante o processo, a Justiça Eleitoral verifica requisitos como filiação partidária, domicílio eleitoral, idade mínima, quitação eleitoral, documentação e possíveis causas de inelegibilidade. A candidatura pode ser questionada, julgada, deferida ou indeferida, com possibilidade de recursos conforme as regras processuais. A legislação brasileira não permite candidaturas independentes: mesmo uma pessoa filiada não pode concorrer sem ser escolhida e registrada por um partido ou uma federação.

Por isso, o eleitor deve distinguir três situações. A primeira é a pré-candidatura, existente antes da convenção. A segunda é a escolha formal pelo partido. A terceira é o registro efetivamente analisado pela Justiça Eleitoral. Essa diferença é importante porque nomes anunciados politicamente ainda podem não aparecer nas urnas caso o registro não seja apresentado, seja substituído ou enfrente impedimentos jurídicos.

Coligações, federações e chapas: as diferenças que o eleitor precisa conhecer

As alianças eleitorais podem assumir formatos diferentes. A coligação é uma união temporária formada para disputar cargos majoritários, como presidente, governador ou senador. Partidos e federações podem apoiar uma mesma candidatura e compartilhar a estrutura política da campanha, mas a coligação deixa de existir após o processo eleitoral.

As coligações não são permitidas nas eleições proporcionais. Para deputado federal, estadual ou distrital, cada partido ou federação apresenta sua própria lista de candidatos e recebe os votos utilizados no cálculo da representação parlamentar. Uma legenda que integra uma aliança presidencial, portanto, pode adotar outra estratégia em determinado estado, pois não existe obrigatoriedade de repetição das alianças nacionais em todas as disputas regionais.

A federação partidária funciona de maneira diferente. Ela reúne dois ou mais partidos que passam a atuar como uma única agremiação, com abrangência nacional e compromisso mínimo de quatro anos. A federação participa tanto de eleições majoritárias quanto das proporcionais e precisa agir de forma unificada nas convenções. Embora os partidos preservem seus nomes, números e filiados, eleitoralmente a federação é tratada como uma só legenda.

Essa distinção influencia diretamente a montagem das candidaturas legislativas. Enquanto uma coligação pode existir apenas para apoiar uma chapa presidencial ou estadual, a federação precisa coordenar nacionalmente suas decisões e apresentar uma lista conjunta nas disputas proporcionais.

As convenções também são decisivas para a composição das chapas. Em uma eleição presidencial ou estadual, a escolha do candidato a vice pode ampliar o apoio regional, aproximar grupos políticos e reforçar determinada área do programa de governo. Nas disputas para o Senado, os partidos também precisam escolher os suplentes que integrarão cada candidatura.

Essas negociações nem sempre são concluídas no primeiro dia do período das convenções. Algumas legendas deixam vagas em aberto ou autorizam suas direções a finalizar acordos posteriormente, desde que sejam respeitados os prazos e procedimentos da Justiça Eleitoral. Por esse motivo, o quadro completo da eleição normalmente se torna mais claro apenas entre o encerramento das convenções, em 5 de agosto, e o prazo final dos registros, em 15 de agosto.

As convenções também podem alterar as pesquisas eleitorais. Levantamentos feitos durante a fase de pré-candidaturas frequentemente incluem nomes que ainda não foram confirmados, enquanto outros candidatos podem aparecer somente depois dos acordos partidários. Após o registro, as pesquisas tendem a refletir um cenário mais próximo daquele que será apresentado ao eleitor.

Isso não significa que uma aliança numericamente maior garanta vitória. Coligações podem oferecer mais estrutura, tempo de exposição, recursos e apoio regional, mas o resultado também depende da capacidade do candidato de transferir essas vantagens para votos. Da mesma forma, partidos que disputam isoladamente podem apresentar bom desempenho se tiverem candidatos conhecidos, bases eleitorais organizadas e comunicação eficiente.

Financiamento, propaganda e transparência: o que começa a valer nesta fase

Com a realização das convenções, as campanhas começam a entrar em sua fase financeira e operacional. Partidos e candidatos podem formalizar contratos relacionados à preparação da campanha e à instalação de comitês. Os pagamentos, porém, dependem da obtenção do CNPJ eleitoral, da abertura de uma conta bancária específica e do cumprimento das obrigações previstas na legislação.

Desde 20 de julho, os recursos recebidos para financiar as campanhas devem ser comunicados à Justiça Eleitoral no prazo de até 72 horas. As informações são divulgadas pela internet, permitindo que eleitores, imprensa, organizações da sociedade civil e órgãos fiscalizadores acompanhem quem está financiando cada candidatura e como o dinheiro está sendo utilizado.

As campanhas podem ser financiadas por diferentes fontes permitidas, incluindo doações de pessoas físicas, recursos próprios dos candidatos dentro dos limites legais, Fundo Partidário, Fundo Especial de Financiamento de Campanha, eventos de arrecadação e financiamento coletivo. As doações empresariais não são permitidas. O financiamento coletivo foi autorizado a partir de 15 de maio, mas os valores somente podem ser liberados depois que a candidatura cumprir as condições exigidas pela legislação.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, possui aproximadamente R$ 4,9 bilhões para as eleições de 2026. Os recursos foram distribuídos entre 30 partidos segundo critérios legais relacionados à votação e à representação das siglas na Câmara dos Deputados e no Senado. Cada partido precisa divulgar seus critérios internos para repartir o dinheiro entre as candidaturas.

O TSE também decidiu manter em 2026 os mesmos limites nominais de gastos aplicados nas eleições gerais de 2022. As despesas contratadas, as transferências entre candidaturas e partidos e as doações de bens ou serviços com valor econômico entram no cálculo. Quem ultrapassar o teto pode receber multa equivalente a 100% do valor excedente, além de enfrentar investigação por eventual abuso do poder econômico.

A propaganda eleitoral geral começa em 16 de agosto, tanto nas ruas quanto na internet. Antes disso, é permitida apenas a propaganda intrapartidária, destinada aos integrantes que participam da escolha dos candidatos. Ela não pode utilizar rádio, televisão ou outdoors e deve ser retirada após a convenção.

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro, no primeiro turno. Na internet, é permitido divulgar conteúdo nos canais dos candidatos, partidos, federações e coligações, além de redes sociais e aplicativos de mensagens. A propaganda paga é proibida, com exceção do impulsionamento contratado e identificado segundo as regras eleitorais.

As normas de 2026 também proíbem telemarketing eleitoral, disparos em massa sem consentimento, outdoors, assédio eleitoral no ambiente de trabalho e determinadas formas de manipulação digital. Conteúdos fabricados ou modificados por inteligência artificial estão sujeitos a regras de identificação, e o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas é proibido.

Para o eleitor, a principal ferramenta de transparência será o DivulgaCandContas, sistema no qual será possível acompanhar candidaturas, atas de convenções, receitas, despesas e prestações de contas. A consulta às fontes oficiais é especialmente importante porque cards, vídeos e mensagens compartilhados nas redes sociais podem apresentar informações desatualizadas ou retirar declarações de contexto.

Como as convenções podem mexer com dólar, Bolsa e juros

O mercado financeiro acompanha as convenções porque elas ajudam a reduzir dúvidas sobre quem efetivamente disputará a eleição, quais grupos formarão as alianças e quais propostas econômicas poderão ganhar espaço durante a campanha. Isso não significa que investidores apoiem de maneira uniforme um partido ou candidato. Diferentes instituições podem interpretar o mesmo programa de formas distintas, e fatores internacionais continuam influenciando o dólar, os juros e a Bolsa.

Durante o período eleitoral, a atenção tende a se concentrar em temas como equilíbrio das contas públicas, trajetória da dívida, regras fiscais, inflação, autonomia institucional, política tributária, privatizações, concessões, gastos sociais, relações comerciais e composição da equipe econômica. Quanto mais detalhadas forem as propostas, maior será a capacidade de empresas e investidores estimarem seus possíveis efeitos.

Um estudo publicado como working paper do Fundo Monetário Internacional, baseado em 38 economias emergentes entre 1990 e 2020, encontrou associação entre períodos eleitorais e redução dos fluxos privados brutos de capital. O efeito foi mais persistente quando a incerteza política continuou após a eleição, enquanto instituições mais fortes e maior estabilidade ajudaram a reduzir esse impacto. O estudo é internacional e não permite concluir que o Brasil repetirá automaticamente o mesmo comportamento, mas ajuda a explicar por que eleições podem aumentar a cautela dos investidores.

No câmbio, uma percepção de maior risco pode levar investidores a reduzir posições em ativos brasileiros, aumentando a procura por dólares. O movimento contrário também pode ocorrer quando há melhora das expectativas ou entrada de capital estrangeiro. Entretanto, juros nos Estados Unidos, preços das commodities, conflitos internacionais e o desempenho da economia global podem ter peso igual ou superior ao noticiário eleitoral.

Na Bolsa, as reações também não são uniformes. Empresas voltadas ao mercado interno podem responder às expectativas para juros, renda, emprego e crescimento. Companhias endividadas ficam mais sensíveis ao custo do crédito. Empresas exportadoras podem reagir ao câmbio e ao comércio internacional. Estatais podem oscilar diante de expectativas sobre governança, investimentos, tarifas e distribuição de dividendos.

Analistas ouvidos pelo canal de educação financeira da B3 avaliam que a eleição pode ganhar maior peso nas cotações a partir de agosto, quando candidaturas, alianças e programas estiverem mais definidos. Eles também destacam que propostas fiscais e a composição das equipes econômicas podem ser mais relevantes para os preços dos ativos do que os nomes isoladamente. Essas avaliações representam opiniões de mercado, não uma previsão garantida sobre o comportamento futuro da Bolsa.

Os contratos futuros de juros costumam refletir as expectativas sobre inflação, política fiscal e futuras decisões do Banco Central. Caso o mercado espere mais gastos sem receitas correspondentes ou uma trajetória mais difícil para a dívida, pode exigir taxas maiores para financiar o governo. Se houver percepção de maior previsibilidade fiscal e menor pressão inflacionária, as taxas podem recuar. O Banco Central já ressaltou que dúvidas sobre disciplina fiscal e estabilização da dívida podem elevar a taxa de juros neutra da economia e aumentar o custo necessário para controlar a inflação.

Para o pequeno investidor, oscilações provocadas por pesquisas, convenções e declarações de campanha exigem cautela. Uma pesquisa isolada, uma aliança regional ou uma fala em evento partidário não é suficiente para definir a trajetória de longo prazo de uma empresa, da inflação ou da taxa de câmbio. Decisões financeiras baseadas apenas em movimentos políticos de curto prazo podem expor o investidor a perdas e mudanças repentinas de cenário.

O que acontece agora

Até 5 de agosto, partidos e federações continuarão escolhendo candidatos e organizando suas alianças. Em seguida, terão até 15 de agosto para apresentar os registros. A propaganda começa no dia 16, e o horário eleitoral no rádio e na televisão será iniciado em 28 de agosto. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, com eventual segundo turno no dia 25.

As convenções não encerram as negociações políticas nem tornam definitivos todos os nomes apresentados, mas representam uma mudança concreta no processo eleitoral. É a partir delas que o eleitor passa a conhecer melhor as chapas, alianças, programas, fontes de financiamento e estruturas de campanha que disputarão o comando do país e dos estados.

Para acompanhar a eleição sem tomar partido, o caminho mais seguro é comparar propostas completas, verificar informações em fontes oficiais e analisar como cada programa pretende financiar suas medidas. Promessas relacionadas a impostos, benefícios, crédito, empregos ou investimentos devem ser avaliadas não apenas pelo objetivo anunciado, mas também pelo custo, pelas fontes de recursos e pelos impactos de médio e longo prazo.


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As convenções partidárias das Eleições 2026 começaram. Entenda como são escolhidos os candidatos, as regras para coligações, registro, propaganda, financiamento e os possíveis efeitos sobre dólar, Bolsa e juros.

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Aviso editorial: Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e adota abordagem apartidária. Não representa apoio, oposição ou recomendação de voto em candidaturas, partidos ou alianças. As referências ao mercado financeiro não constituem recomendação de investimento.

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