BRICS Expande Seus Horizontes com 9 Novos Parceiros, Representando Metade da População Mundial e 41% da Economia Global

O bloco BRICS dá um passo decisivo em 2025, fortalecendo sua presença econômica e populacional no cenário global com novos parceiros estratégicos.

BRICS Se Expande e Consolida Presença Global: Uma Análise da Nova Configuração

O grupo BRICS, reconhecido por unir potências emergentes em busca de cooperação econômica e estratégica, tem se consolidado como um dos mais influentes blocos no cenário global. Em janeiro de 2025, o bloco dará um passo significativo ao incorporar nove novos países parceiros, expandindo sua representação para cerca de metade da população mundial e mais de 41% do Produto Interno Bruto global, quando medido pela Paridade de Poder de Compra (PPC).

Após admitir quatro novos membros em 2024, o BRICS oficialmente dá as boas-vindas a nove novas nações como países parceiros em 1º de janeiro de 2025. Elas são:

  • Bielorrússia

  • Bolívia

  • Cuba

  • Indonésia

  • Cazaquistão

  • Malásia

  • Tailândia

  • Uganda

  • Uzbequistão

Essa ampliação não é apenas um marco numérico; ela simboliza a consolidação de uma nova ordem econômica que reflete a crescente relevância das economias emergentes no equilíbrio de poder global. Os BRICS, além de sua importância econômica, têm demonstrado uma forte ambição de remodelar o sistema financeiro internacional. Um dos objetivos centrais do grupo é reduzir a dependência excessiva do dólar como moeda de troca global, promovendo alternativas que fortaleçam as moedas locais e incentivem o comércio multilateral.

Ao incorporar novos parceiros, os BRICS também ampliam sua influência em setores estratégicos, incluindo a produção de commodities essenciais como petróleo, gás, grãos e minerais, fundamentais para o funcionamento da economia global. Essa diversificação e fortalecimento permitem ao grupo não apenas ganhar maior peso econômico, mas também reforçar sua capacidade de influenciar decisões globais, moldando o futuro da governança internacional de forma mais inclusiva e equitativa.

Uma Nova Configuração para o BRICS

Em outubro de 2024, na cúpula realizada em Kazan, Rússia, o BRICS deu um passo estratégico ao convidar 13 países a se juntarem como parceiros, marcando uma etapa importante na ampliação do bloco. Entre os convidados, nove aceitaram o convite e serão reconhecidos oficialmente em janeiro de 2025: Bielorrússia, Bolívia, Cuba, Indonésia, Cazaquistão, Malásia, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. Essa adição não apenas amplia a diversidade geográfica e econômica do grupo, mas também reforça sua posição como uma força global de relevância crescente.

O BRICS, já composto por economias de destaque como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tem promovido expansões desde 2010 para consolidar sua influência global. A rodada mais recente, em 2024, incluiu Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos como membros plenos. Combinando esforços econômicos e estratégicos, o bloco se posiciona como um contrapeso às alianças lideradas pelo Ocidente, como o G7, buscando moldar uma ordem internacional mais equilibrada e representativa.

Além disso, a inclusão de novos parceiros fortalece o potencial do grupo em setores essenciais, aumentando sua capacidade de negociação e colaboração em questões globais, desde a economia até a segurança energética.

Impacto Demográfico e Econômico

Com os novos parceiros, o BRICS amplia sua representatividade global, abarcando cerca de quatro bilhões de pessoas, equivalente a metade da população mundial. Em termos econômicos, o bloco soma impressionantes 41% do PIB global medido pela paridade de poder de compra (PPC), ultrapassando significativamente o G7, cuja contribuição foi de apenas 29% em 2024. Essa disparidade evidencia uma mudança no equilíbrio econômico internacional, com os BRICS ganhando protagonismo crescente.

A China, peça-chave dessa transformação, lidera o grupo com sua robusta economia. Em 2024, o país respondeu por 19% do PIB global em PPC, consolidando sua posição como a maior economia industrial do mundo e contribuindo com 35% da produção industrial bruta global. Essa força econômica, somada às contribuições dos demais membros e novos parceiros, posiciona os BRICS como um dos mais influentes blocos econômicos, desafiando a hegemonia ocidental e redefinindo as dinâmicas globais de poder e cooperação.

Rio de Janeiro - 27/12/2024 | 6 min leitura

Recursos Naturais e Produção de Commodities

Outro aspecto crucial que eleva a relevância dos BRICS é seu protagonismo na produção de commodities essenciais que sustentam a economia global. Os membros e parceiros do bloco possuem vastos recursos naturais e lideram na produção de alimentos, energia e minerais estratégicos, consolidando sua posição como pilares do abastecimento mundial.

Agricultura

Os BRICS desempenham um papel dominante na produção de alimentos básicos. Brasil, Índia e China, por exemplo, são gigantes agrícolas, liderando a produção global de cana-de-açúcar, milho e arroz. Juntos, eles respondem por dois terços da produção mundial de cana-de-açúcar e mais de 50% da de arroz, garantindo segurança alimentar a bilhões de pessoas.

Energia

No setor energético, os BRICS também são destaque, com Rússia e Brasil ocupando posições de liderança na produção de petróleo e gás natural. Essa capacidade energética é essencial para atender à demanda crescente em seus próprios mercados e no cenário internacional.

Minerais Estratégicos

Na mineração, o bloco está à frente na extração de materiais cruciais para a indústria moderna, como ferro, cobre e níquel. Esses minerais são fundamentais para setores como construção, tecnologia e manufatura, dando aos BRICS uma vantagem estratégica na economia global.

Contribuições dos Novos Parceiros

A entrada de países como Indonésia, Malásia e Tailândia adiciona força ao domínio global dos BRICS em produtos agrícolas específicos. Essas nações lideram a produção de óleo de dendê, um insumo essencial para as indústrias alimentícia e de cosméticos, ampliando ainda mais a influência do bloco em cadeias de suprimento globais.

Essa combinação de recursos naturais e produção estratégica torna os BRICS uma força indispensável no cenário global, com potencial para moldar as dinâmicas do comércio e da segurança econômica nos próximos anos.

Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar do avanço significativo, os BRICS enfrentam desafios complexos, como alinhar interesses diversos entre membros e parceiros, promover uma integração mais profunda e lidar com a resistência de países que ainda dependem de sistemas financeiros tradicionais dominados pelo dólar. Entretanto, o bloco tem demonstrado capacidade de articulação e adaptação, fortalecendo suas bases para atuar como uma verdadeira potência multipolar.

A expansão dos BRICS não é apenas um marco para os países participantes, mas também uma síntese das transformações em curso na economia global. O bloco não apenas cresce em tamanho, mas também em relevância, posicionando-se como uma voz cada vez mais influente na redefinição das regras do jogo global.